2010/01/06

Controlando o Avatar Interno

Assistir um filme como Avatar é comparável a uma experiência psicodélica tamanha é a imersão sensorial e visual a que o expectador é submetido. A projeção de imagens se torna familiar de uma forma cada vez mais intensa ao longo da história. Isso porque nos "sentimos" nos personagens. Deixe me explicar: o sentir das sensações é o que nos torna reais seres humanos. O Sentir Pleno, sem aqueles indesejáveis diálogos interiores, (mente-macaco que leva os meditadores novatos a desistirem facilmente de uma sessão de Vipassana!...) nos leva pelo caminho do Ser e não do Ter, quando sentimos=somos, essa é a tônica. Quando a mente racional trabalha nos tornamos seres quase robotizados, nos afastamos da Essência. É claro como o cristal porém, que precisamos raciocinar: o Entendimento e a Sabedoria são energizadas na mesma coluna horizontal na Árvore da Vida. Porém as coletividades muitas vezes esquecem do Ser em detrimento do Ter, ter, ter, ter, ter. Conseguimos "sentir" por exemplo, quando estamos em harmonia com o todo, o que é representado no filme como a convivência pacífica entre todos os membros da comunidade dos Na'vi (que poderia muito bem ser um protótipo futurístico de tribos indígenas) onde cada um tem uma tarefa designativa na sociedade: os guerreiros, os xamãs, a Grande mãe, o Grande pai, o Filho, a Filha. Conseguimos "sentir" quando aceitamos o trânsito de São Paulo. Um aceitar sem resistências: -"Tudo bem estou aqui, no meio do caos, 6 milhões de veículos mas eu me rendo, não vou ficar reclamando todos os dias." Essa atitude de entrega até aos momentos mais desagrádaveis, de acordo com E.Toole, é estar no presente, no agora. Viver a vida, VIVER, SENTIR. Poderia ser também ser classificada como a renúncia Crística, ao Sacrifício. O Sentir de Neytiri, de Jake, da Dr.Grace e de todos os personagens é à flor da pele, não é algo superficial. Nisto James Cameron se superou em todos os aspectos positivos. Vale lembrar que ele é formado em Filosofia e em Física, só um plus básico né? Avatar: do sânscrito Avatara (significado "Descida", no sentido "do céu para a terra") Manifestação de uma deidade em nosso mundo material. Há duas formas de Avatar: Direto: quando o deus aparece diretamente ao escolhido(a). Indireto: quando investe de poderes um ser e esse ser se torna d'us no mundo material. É quando deus e filho se tornam "The One", criadores se transmutam ( se manisfestam) em criaturas. Se tornar um Avatar sagrado pode estar ao alcançe de muitos, fora da ficção. Neste caso vale a máxima: "Choose to be choosen", escolher ser o escolhido. Palavras de JJ.Hurtak. Não é fácil. E quem falou que seria?! Cypher para Neo ( Avatar "cute") em Matrix: -(...) Nossa, então você está aqui para salvar o mundo. Que trabalho mental!(...) Esse diálogo ilustra o que o inconsciente coletivo acha genericamente de um Escolhido. O mérito todo vai para a seguinte questão: Ele era realmente o escolhido ou escolheu se tornar um? Voltando ao filme Avatar, o que dizer da pele azul? Me fez lembrar muito Sri Krshna- A Suprema Personalidade de D'us. Achei muito significativa a concepção da pele azul afinal, ninguém mais aguentava alienígenas verdes. Nephilins, elohins? Espero que a mensagem de Avatar seja ouvida e inspire a muitos, que os Arquétipos sublimes se manifestem em todos nós!